Cursei Direito na Universidade Gama Filho, na Piedade, subúrbio do Rio de Janeiro. Comecei estudando pela manhã, depois passei para o turno da noite.
Foi nessa época que aprendi a andar de trem, o transporte mais rápido para fazer o trajeto trabalho/faculdade. Naquela época, o trem era uma das coisas mais divertidas do subúrbio.
Era simplesmente inacreditável a variedade de coisas vendidas dentro dos trens: biscoitos, refrigerantes, cervejas, agulhas, linhas, tesouras, cortadores de unhas, canetas e lapiseiras, descascadores de legumes, tabuadas, fones de ouvido, pilhas, bandeirinhas na época das Festas Juninas, blocos de papel, artesanato, e mais uma infinidade de coisas que não lembro.
O mais impressionante eram os vendedores de refrigerantes e cervejas no trem cheio, no horário de volta para casa. O trem ficava cheio, mas cheio mesmo. Tipo: se tirasse o pé do chão, não dava pra colocar de volta porque o lugar já tinha sido ocupado por outro pé. Ainda assim os caras conseguiam passar de vagão em vagão, carregando um isopor na cabeça! E quando alguém queria comprar, eles conseguiam baixar o isopor pra tirar a latinha!
Hoje em dia não ando mais de trem, mas me disseram que a Super Via proibiu o comércio nos vagões. Acabou a diversão.
Segundo a Wikipédia, subúrbio é “um termo para designar as áreas circunscritas às áreas centrais de um dado aglomerado urbano”.
No Rio de Janeiro, subúrbio designa qualquer bairro que não fique no Centro ou na Zona Sul.








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