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Foto: .joao xavi.

Cursei Direito na Universidade Gama Filho, na Piedade, subúrbio do Rio de Janeiro. Comecei estudando pela manhã, depois passei para o turno da noite.

Foi nessa época que aprendi a andar de trem, o transporte mais rápido para fazer o trajeto trabalho/faculdade. Naquela época, o trem era uma das coisas mais divertidas do subúrbio.

Era simplesmente inacreditável a variedade de coisas vendidas dentro dos trens: biscoitos, refrigerantes, cervejas, agulhas, linhas, tesouras, cortadores de unhas, canetas e lapiseiras, descascadores de legumes, tabuadas, fones de ouvido, pilhas, bandeirinhas na época das Festas Juninas, blocos de papel, artesanato, e mais uma infinidade de coisas que não lembro.

O mais impressionante eram os vendedores de refrigerantes e cervejas no trem cheio, no horário de volta para casa. O trem ficava cheio, mas cheio mesmo. Tipo: se tirasse o pé do chão, não dava pra colocar de volta porque o lugar já tinha sido ocupado por outro pé. Ainda assim os caras conseguiam passar de vagão em vagão, carregando um isopor na cabeça! E quando alguém queria comprar, eles conseguiam baixar o isopor pra tirar a latinha!

Hoje em dia não ando mais de trem, mas me disseram que a Super Via proibiu o comércio nos vagões. Acabou a diversão.

Segundo a Wikipédia, subúrbio é “um termo para designar as áreas circunscritas às áreas centrais de um dado aglomerado urbano”.
No Rio de Janeiro, subúrbio designa qualquer bairro que não fique no Centro ou na Zona Sul.

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Foto: claudiopan2007

Segundo a Wikipédia, subúrbio é “um termo para designar as áreas circunscritas às áreas centrais de um dado aglomerado urbano”.

No Rio de Janeiro, subúrbio designa qualquer bairro que não fique no Centro ou na Zona Sul. Isso de modo pejorativo, claro.

Bairrismos à parte, nos subúrbios cariocas a gente vê coisas (pitorescas) que não se vê em nenhum outro lugar da cidade, como a “lojinha” que vi hoje.

Fui ao Fórum Regional de Madureira que, não me perguntem porque, fica em Cascadura. Na volta para casa, o ônibus parou em frente a uma parede bem pintadinha, na qual se lia “SALGADOS, REFRIGERANTE, BISCOITOS”. Distraidamente, fui virando a cabeça, procurando o local onde estavam à venda tais mercadorias. Meus olhos enquadraram uma porta de garagem aberta e lá dentro uma loja arrumadinha: piso de cerâmica novo, balcões de vidro, bem iluminada. Fiquei olhando as mercadorias e vi sob o balcão envelopes de carta, envelopes pardos, corretivos, lápis, canetas… Pensei que estava olhando a loja errada, já que não via os produtos anunciados na fachada, mas não. Ao lado da parede pintada ficava a entrada da residência. O comércio era aquele mesmo.

Comecei a olhar com mais atenção e percebi que naquela “lojinha” montada na garagem de uma casa, o dono fazia de tudo um pouco: vendia material de papelaria, tirava xerox, fazia chaves, vendia cartões para celular, tirava foto 3×4. Finalmente encontrei uma geladeira, daquelas com porta de vidro. Em algum canto lá dentro certamente estavam os anunciados salgados e biscoitos.

Sinceramente, você já viu uma variedade dessas em alguma loja na Zona Sul? Tenho certeza que não.

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