Dizer o que?

Um blog sobre cotidiano, vida e direito

Penpal

cartaHoje a @lumonte perguntou no Twitter como as pessoas viviam na era pré-internet, pré-email.

Respondi a ela que a gente visitava as pessoas, telefonava e mandava cartas.

No ônibus voltando para casa, sem nada para fazer, comecei e lembrar desses tempos pré-internet.

Embora fosse uma pessoa tímida (ninguém acreditava nisso), sempre fui faladeira. Adorava bater papo e fazia isso de todas as formas possíveis. Na adolescência, passava horas no telefone. Qualquer assunto era pretexto pra ir na casa das vizinhas e das amigas que moravam perto. Às vezes só voltava pra casa quando minha mãe telefonava (para o telefone da casa da menina, porque não existia celular) e mandava ir pra casa.

Em essência, não mudei muito. Continuo gostando de jogar conversa fora, só mudei os meios. Hoje em dia detesto telefone. No trabalho sou obrigada a utilizá-lo e acho que isso me deixou traumatizada. Fora do escritório não telefono para ninguém, a não ser que seja absolutamente necessário. Na conta de telefone todos os meses sobram mais de 300 minutos não utilizados. Prefiro e-mail, Gtalk e Twitter.

Até mesmo o desejo de conhecer gente diferente, de lugares diferentes, já existia naquela época. Eu tinha penpals! A gente se inscrevia num programa, preenchia um formulário dizendo que tipo de pessoa queria conhecer, e um dia recebia o endereço do penpal. Você mandava uma carta se apresentando e começava a se corresponder. Fiz várias amigas “virtuais” dessa forma, mas as maiores amizades foram com a Dália, que morava em Portugal, e com a Catherine, que morava no Canadá. Passei anos trocando cartas com elas.

Adoro a Internet e não sei mais viver sem ela, mas que tenho saudade dos “velhos tempos”, ah isso eu tenho!

Eu sou nerd

Neste final de semana fui ao BogCampRJ. Para quem não tem idéia do que seja, posso explicar resumidamente como um encontro sobre blogs, feito por e para blogueiros, ou seja, um encontro de nerds.

Foi meu primeiro evento de nerds. Estou desconsiderando as convenções de Arquivo X e a pré-estréia de Star Wars I com um monte de fãs fantasiados, porque isso foi há muitos anos, quando eu ainda não era nerd assumida.

Nasci e cresci num tempo em que não existiam computadores, ao menos não fora dos centros científicos. Por isso, o conceito que tinha de nerd era aquele que o cinema ensinava. O cinema os mostrava como uns caras bobões, de óculos, bolsos cheios de canetas, que sabiam tudo de matemática e física, e só pensavam em estudar. Exceto pelos óculos, eu não me encaixava nesse perfil. Nunca fui bobona, muito menos estudiosa, e na escola fui uma completa negação em matemática e física.

Hoje em dia o conceito de nerd mudou. A Wikipedia, citando Lia Portocarrero, define nerd como “rapaz (ou moça) que nutre alguma obsessão por algum assunto a ponto de a) pesquisar; b) colecionar coisas; (…) não sossegar enquanto não descobrir como funciona; f) não dormir enquanto o programa não rodar”.

Obs.: passei horas do meu domingo modificando meu blog no WordPress e não consegui ir pra cama sem fazer este post, mesmo tendo que acordar cedo amanhã.

A Wikipedia ainda afirma que existem sub-grupos de nerds, entre eles os geeks, “aqueles cujo interesse volta-se especialmente para a tecnologia, ciência e informática”, e os fanbase, tipo trekkers, excers, fãs de Star Wars.

Obs.: não sei viver sem meus computadores, celular e smartphone. Tenho todos os boxes de Arquivo X e assisti todos os Star Wars e Star Trek.

Foi por tudo isso que este ano descobri que eu era uma nerd. No princípio relutei em admitir, pois eu mesma estava contaminada com o preconceito que o cinema difundiu, mas acabei me aceitando. (acho que faria um discurso igual se estivesse me assumindo homossexual)

A maior prova dessa aceitação foi meu comparecimento ao BlogCamp neste final de semana. O melhor de tudo foi que me senti em família! Achei que todo mundo lá seria mais novo que eu, mas me enganei. Achei que ninguém prestaria atenção em mim, mas também me enganei. Confesso que não entendi 100% de todas as informações técnicas que ouvi, mas aprendi muita coisa. Também descobri que não existe um estereópito físico para os nerds. Vi nerds gordos e magros, de cabelo comprido e curto, vestidos com todos os tipos de roupas (todos não, não vi ninguém de terno). Vi mulheres nerds, mas éramos minoria. Conheci nerds com várias profissões, mas predominaram os que trabalham com informática. Pela primeira vez estive em um lugar que era normal usar smartphone, câmera digital e notebook (nos meios que freqüento fica todo mundo espantado quando tiro o smartphone da bolsa).

Agora posso dizer: encontrei minha tribo. E que venha o próximo evento de nerd!