
(Now photo by Ron Galella/WireImage)
Já fiz muita gozação com festas de flashback. Ontem mudei de idéia.
Sempre gostei de dançar. Quando era criança colocava um disco na vitrola (velha!) e dançava na sala de casa. Cresci um pouco e fui fazer jazz. Amei. Na adolescência minha mãe não deixava ir nas matinês das então chamadas discotecas. Por sorte a garotada da vizinhança adorava organizar “festas americanas”. Alguém trazia para o salão do prédio um aparelho de som e uns discos (de vinil), cada um levava um prato de doce ou salgado, e estava armada a festa. O pessoal ia com a intenção de se arrumar, eu ia para dançar. Quando completei 18 anos não precisava mais de permissão de mãe e passei a frequentar as já denominadas danceterias. Se o namorado fosse junto era bom, se não fosse não era problema. Tive um namorado que não gostava de dançar. A gente chegava na danceteria, ele ia pra pista comigo e dançava umas duas músicas, depois sentava e eu passava o resto da noite dançando sozinha. Aí casei e parei de ir em danceterias. Para matar a vontade de dançar só aproveitando as festas de casamento.
Em julho completei 40 anos e resolvi dar uma chance a uma festa de flashback. Afinal seria uma oportunidade para dançar. Saí de lá me perguntando porque não fiz isso antes!
Foi engraçado e ao mesmo tempo revelador ver todas aquelas pessoas da minha idade ou mais velhas que eu, dançando como se o tempo não houvesse passado. Embora gostem de dançar, todas pararam de fazer isso há algum tempo, por um ou por outro motivo. Dançar em danceteria não é a mesma coisa para elas, as músicas são diferentes e desconhecidas. Não tenho nada contra música eletrônica, até gosto, mas muita gente não consegue gostar.
A festa de flashback permite aos “coroas” num passe de mágica ignorarem a passagem do tempo. Ninguém os olhava com ar de “tá perdido aqui, tio?”, as músicas eram conhecidas e agradáveis aos ouvidos. Vale mencionar que a década que levou menos dançarinos à pista foi a de 90. Foram tocadas apenas umas cinco músicas dos anos 90, mas meu marido, por exemplo, só conhecia umas duas delas.
A única coisa que essa “mágica” da festa de flashback não consegue fazer é apagar os efeitos da idade no dia seguinte. Meu marido acordou cheio de dor nas costas e eu com o joelho inchado. Ainda assim, valeu a pena.