
Já contei que minha avó materna tem alzheimer. Quando ela ainda era lúcida, tinha um caderno de telefones, de papel, à moda antiga, em que estavam relacionadas todas as pessoas que conhecia, parentes próximos e distantes, amigos, conhecidos de longa data.
O caderno nunca recebia novos nomes, apenas os números dos telefones às vezes eram alterados. De tempos em tempos eu via minha avó sentar próximo à janela (a visão debilitada era facilitada pela luz natural), uma caneta e o caderninho nas mãos, para riscar os nomes daqueles que haviam morrido. Ela sempre comentava como era estranho fazer isso. Nas palavras dela: “todos que conheço estão morrendo”.
Eu não tenho um caderno de telefones, só a relação de contatos no PC e no smartphone, mas hoje experimentei sensação parecida.
Claro que ao longo dos meus quase 40 anos de vida já vi pessoas morrerem, mas quase sempre eram tias idosas, parentes distantes. Hoje fiquei sabendo que a irmã de uma amiga minha morreu. Estudei com essa amiga no jardim de infância (faz tempo, hein?!) e temos mais ou menos a mesma idade. A irmã dela era mais velha, mas acho que não deveria ter mais que uns 50 anos. Foi muito estranho saber da morte de uma pessoa da minha geração. Estou MESMO ficando velha.






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