Dizer o que?

Um blog sobre cotidiano, vida e direito

LuluzinhaCampRJ e Dia Internacional da Mulher

 

Hoje aconteceu o LuluzinhaCamp em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Estive presente no Rio. Quem não sabe do que se trata pode descobrir aqui.

A tarde foi muito divertida e tipicamente “mulherzinha”, com demonstração de limpeza de pele e maquiagem. Isso me fez pensar sobre “coisas de mulherzinha”, aquelas tipicamente ligadas à feminilidade.

A sociedade espera que todo indivíduo que nasce mulher, goste de “coisas de mulherzinha”, como fazer unha e cabelo, de maquiagem e cremes, de moda e sapatos. O que fazer quando a gente nasce mulher, é heterossexual, mas não tem paciência para passar horas no salão toda semana, só usa maquiagem quando vai em casamento, odeia ficar com a pele melecada com cremes, não liga pra roupas e detesta sapatos porque todos machucam os pés?

Eu tenho esse problema, mas não quer dizer que não tenha me divertido no LuluzinhaCamp. Até aprendi algumas coisas que poderei aplicar na próxima vez que tiver que me maquiar para ir a um casamento.

A questão é: homens “podem” ser vaidosos, mulheres têm obrigação simplesmente porque nasceram com dois cromossomos X. Na natureza não funciona assim. Em muitas espécies os machos são maiores e mais bonitos que as fêmeas. Os leões têm aquela juba maravilhosa, as leoas são só umas gatas crescidas. Pavões machos têm uma cauda incrível, vistosa, colorida, já as fêmeas são pequenas e cinzentas.

Como se não fosse bastante ter que ficar linda, maravilhosa e cheirosa o tempo todo, e elegante sem perder a pose no alto de um salto super fino, a sociedade ainda espera que a mulher seja boa esposa, mãe amorosa e profissional competente, tudo isso ao mesmo tempo, 24 horas por dia. Quando será que a sociedade vai perceber que isso é impossível? Agora há pouco eu estava na área de serviço limpando o banheirinho dos bichos, tirando tapete higiênico cheio de xixi e granulado sanitário cheio de cocô. Como ser elegante numa hora dessa? Se alguém souber, por favor me diga.

Já é tempo da sociedade dar à mulher o direito de sair para buscar pão meio despenteada (não digo sem camisa porque nenhuma vai ficar mostrando os peitos pela rua), chegar em casa e simplesmente sentar em frente à TV enquanto o marido prepara o jantar, ficar de mau humor por causa de algum problema no trabalho. Já é tempo da sociedade passar a ver a mulher como uma pessoa comum.

Feliz Dia da Mulher!