Já se tornaram praxe, quase obrigação, as confraternizações de final de ano. Todos os grupos que a gente freqüenta, trabalho, academia, curso de inglês, em dezembro resolvem usar o final do ano como pretexto para uma reunião social. A agenda dos finais de semana fica lotada. É difícil compatibilizar tantas reuniões.
Esses encontros podem proporcionar momentos agradáveis, mas na maioria das vezes são a maior furada, como a que eu me meti na 6ª feira.
Durante vários anos juntamos meu escritório e o da minha tia para fazer uma festinha. Escolhíamos uma noite após o expediente, eu encomendava um desses kits festas natalinos, e trocávamos presentes num amigo-oculto. Já no ano passado não aconteceu bem assim. Na última hora o amigo-oculto e o kit festa foram cancelados. Minha tia pediu ao meu pai para arrumar um lugar em que pudéssemos ir depois do expediente, missão impossível nessa época do ano. Resultado: meu pai arrumou o restaurante de um amigo, que fechava às 18h, mas concordou em nos receber após o horário. Nunca fui num lugar tão lúgubre. Só a nossa mesa estava ocupada, já que o local estava oficialmente fechado. Não tinha nem um rádio ligado com uma musiquinha de fundo. Enchemos o bucho de comida, sob os olhares ansiosos do gerente e do garçon, e fomos embora.
Desdenhei da tranqüilidade do lugar que meu pai arrumou ano passado e o castigo veio 12 meses depois.
O amigo-oculto e o kit festa acabaram indo pro espaço novamente esse ano, e um pequeno grupo, composto exclusivamente por mulheres, foi parar num daqueles bares do Centro do Rio, que ficam cheios nas 6ªs feiras, e lotados na última 6ª feira de trabalho do ano.
Só conseguimos mesa porque o garçon era baixinho e uma amiga minha grande e forte ameaçou bater nele. Não bebo chopp (que sorte), mas todas que beberam reclamaram que as tulipas chegavam na mesa quentes, quase fervendo. Um único garçon servia cerca de 30 mesas, daí vocês imaginam quanto tempo decorria entre o pedido e a entrega. Em quase todas as mesas à nossa volta havia colegas de trabalho brincando animadamente de amigo-oculto, gritando surpresos cada vez que um presente era entregue. Com o passar das horas as pessoas foram ficando bêbadas e por isso foram falando cada vez mais alto. Mas nada disso se comparou ao que aconteceu por volta das 20 horas. Até então havia um carinha com um violão tocando rock nacional. Ótimo, todo mundo estava gostando e cantando junto. Às 20 horas o carinha foi substituído por um grupo de pagode. Não gosto desse tipo de música, mas o que tornou o lugar insuportável foi o volume que colocaram no equipamento de som. Alto? Não. Ensurdecedor! Um absurdo! Coisa de enlouquecer qualquer um, aqueles caras cantando lá lá lá láááá (é só isso que se canta em pagode mesmo). Deviam achar que berrar deixava a música mais bonita, sei lá! Só sei que nessa hora eu disse categoricamente: VOU EMBORA (não que alguém tenha me ouvido com aquele som terrível sobrepujando qualquer outro).
Feliz Natal!