Como contei no outro post, comprei fantasias de Carnaval para os meus cães. Na 3ª feira de Carnaval eles “desfilaram” em Ipanema. Quer saber como foi? Dá uma lida no post do Cão Amado, meu outro blog.
Tag Archives: Carnaval
Carnaval
Enfim é Carnaval.
Passei a semana toda vendo nerds no Twitter reclamando do Carnaval. Eu também já fui assim, mas hoje encaro a festa dentro de uma perspectiva histórica e sociológica, e consigo até me divertir. Não pretendo ensinar nada a ninguém, apenas dividir esse modo de ver.
O Carnaval é uma festa muito antiga, isso é certo, embora os estudiosos não tenham chegado a um consenso sobre sua origem. Uns acreditam que começou no Egito, outros na Grécia. Todos concordam que o Carnaval era uma festa ligada aos ciclos da natureza e às colheitas. Acredita-se que os antigos se reuniam para celebrar a chegada da Primavera, as colheitas saturnais, em 17 de dezembro, e lupercais, em 15 de fevereiro, ou para espantar os demônios da má colheita.
Na era cristã a Igreja se apropriou dessa tradição pagã, como fez com muitas outras, e relacionou o Carnaval ao início da quaresma, período que antecede a Páscoa. Daí surge um dos significados cogitados pelos estudiosos para a palavra Carnaval: do latim “carne vale”, que significa “adeus carne”, ou “carne levare”, “supressão da carne”. Pela tradição cristã, a quaresma é o período para se fazer jejum e abstinência de carne. Assim, carne diz respeito ao alimento e também ao sexo.
Seja relacionado às colheitas ou ao jejum e à abstinência, o Carnaval está ligado aos excessos: de comida, bebida e sexo. A vida era muito dura nos lugares frios, nos tempos em que não se conseguia comida em supermercados e era necessário plantar e cultivar para ter o que comer. Só havia comida e bebida à vontade na época da colheita, quando fazia calor e a vida ficava mais fácil. Aí era possível fazer aquilo que não era permitido no resto do ano.
Desde então o Carnaval mudou, adquiriu características próprias em diferentes épocas e culturas, mas sua essência continua inalterada: é a época do ano em que as pessoas fazem coisas que não fazem normalmente.
Boa parte dos brasileiros não têm que plantar e cultivar para ter o que comer, mas suas vidas são duras por outros motivos. É justamente isso que faz com que o Carnaval continue sendo mágico: o trabalhador oprimido se sente livre para beber muito, dançar muito, beijar, fazer muito sexo, não trabalhar.
Durante toda a semana o trânsito esteve ruim nas vias de saída do Rio de Janeiro (imagino que nas outras grandes cidades do país aconteceu o mesmo), todos querendo se afastar do trabalho o mais cedo possível. Hoje, sexta-feira, o Centro da cidade tinha muito menos gente que o habitual. Vi muitos homens trabalhando com camisetas de escolas de samba e mulheres com arcos de cabelo enfeitados com borboletas. Todos estavam sorridentes, falando dos planos para os próximos dias: viajar ou beber todas. Esse fenômeno não acontece em nenhuma outra época do ano e é muito interessante de se observar!
Uns dirão que se trata de uma fuga da realidade, que na Quarta-feira de Cinzas as vidas das pessoas continuarão exatamente iguais. Outros dirão que esse feriadão é um desastre para a economia do país. Tudo isso é verdade (meu pet shop ficará 4 dias fechado, sem faturar!), mas independente do que se diga, essa festa sempre existiu e continuará existindo, porque o trabalhador oprimido sempre precisará de um momento de catarse, de liberação.
Por isso, seus nerds, saiam da Internet e vão aproveitar o Carnaval!