Dizer o que?

Um blog sobre cotidiano, vida e direito

Reformulando

No BlogCampRJ participei de uma arena com a Alê Félix, do http://www.alefelix.com.br. Devido à natureza do BlogCamp, entrei no auditório no meio da desconferência e a ouvi falando para os blogueiros escreverem o que têm vontade, não aquilo que acham que os leitores vão gostar, mais ou menos isso. Foi inevitável que eu começasse a refletir sobre o meu próprio blog.

Há alguns anos, quando pela primeira vez ouvi falar em blog, fiz um. Naquela época a definição de blog era “diário pessoal”. Assim comecei a escrever o meu, mas logo a brincadeira perdeu a graça e foi abandonada.

Em 2006 os blogs já tinham outras finalidades. Um belo dia deu vontade e criei o Dizer o que?. Isso foi em 23/10/2006. Desde então venho escrevendo quando quero, sobre qualquer assunto que me vier à mente. Mudei do Blogger para o WordPress. Mudei o template não sei quantas vezes.

Durante esse tempo minha percepção sobre o blog também mudou. Comecei escrevendo mais pra mim mesma, sem me preocupar se alguém havia lido meu post. Depois instalei um contador e comecei a dar importância às estatísticas de acessos. Foi um processo natural, mas só prestei atenção nele depois de ouvir a Alê Félix. Não havia me dado conta de que no fundo estava tentando imaginar que assuntos os leitores achariam interessantes, que estilo de escrita agradaria mais. Durante a desconferência comecei a pensar: pra que isso? Se escrever o que os outros esperam, não serei eu mesma.

Portanto, leitores, não se sintam menosprezados, mas saibam que de agora em diante não escreverei mais pensando em vocês, escreverei pensando em mim. Sintam-se à vontade para deixar suas opiniões nos comentários ou por e-mail. Lerei todas com carinho, mas continuarei escrevendo o que tiver vontade. Se gostarem, voltem sempre!

Eu sou nerd

Neste final de semana fui ao BogCampRJ. Para quem não tem idéia do que seja, posso explicar resumidamente como um encontro sobre blogs, feito por e para blogueiros, ou seja, um encontro de nerds.

Foi meu primeiro evento de nerds. Estou desconsiderando as convenções de Arquivo X e a pré-estréia de Star Wars I com um monte de fãs fantasiados, porque isso foi há muitos anos, quando eu ainda não era nerd assumida.

Nasci e cresci num tempo em que não existiam computadores, ao menos não fora dos centros científicos. Por isso, o conceito que tinha de nerd era aquele que o cinema ensinava. O cinema os mostrava como uns caras bobões, de óculos, bolsos cheios de canetas, que sabiam tudo de matemática e física, e só pensavam em estudar. Exceto pelos óculos, eu não me encaixava nesse perfil. Nunca fui bobona, muito menos estudiosa, e na escola fui uma completa negação em matemática e física.

Hoje em dia o conceito de nerd mudou. A Wikipedia, citando Lia Portocarrero, define nerd como “rapaz (ou moça) que nutre alguma obsessão por algum assunto a ponto de a) pesquisar; b) colecionar coisas; (…) não sossegar enquanto não descobrir como funciona; f) não dormir enquanto o programa não rodar”.

Obs.: passei horas do meu domingo modificando meu blog no WordPress e não consegui ir pra cama sem fazer este post, mesmo tendo que acordar cedo amanhã.

A Wikipedia ainda afirma que existem sub-grupos de nerds, entre eles os geeks, “aqueles cujo interesse volta-se especialmente para a tecnologia, ciência e informática”, e os fanbase, tipo trekkers, excers, fãs de Star Wars.

Obs.: não sei viver sem meus computadores, celular e smartphone. Tenho todos os boxes de Arquivo X e assisti todos os Star Wars e Star Trek.

Foi por tudo isso que este ano descobri que eu era uma nerd. No princípio relutei em admitir, pois eu mesma estava contaminada com o preconceito que o cinema difundiu, mas acabei me aceitando. (acho que faria um discurso igual se estivesse me assumindo homossexual)

A maior prova dessa aceitação foi meu comparecimento ao BlogCamp neste final de semana. O melhor de tudo foi que me senti em família! Achei que todo mundo lá seria mais novo que eu, mas me enganei. Achei que ninguém prestaria atenção em mim, mas também me enganei. Confesso que não entendi 100% de todas as informações técnicas que ouvi, mas aprendi muita coisa. Também descobri que não existe um estereópito físico para os nerds. Vi nerds gordos e magros, de cabelo comprido e curto, vestidos com todos os tipos de roupas (todos não, não vi ninguém de terno). Vi mulheres nerds, mas éramos minoria. Conheci nerds com várias profissões, mas predominaram os que trabalham com informática. Pela primeira vez estive em um lugar que era normal usar smartphone, câmera digital e notebook (nos meios que freqüento fica todo mundo espantado quando tiro o smartphone da bolsa).

Agora posso dizer: encontrei minha tribo. E que venha o próximo evento de nerd!