Dizer o que?

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Poodle frisé?

Galileu 

Ontem salvei meu cachorro de uma crise de identidade.

Levei o Galileu numa exposição de beleza realizada pelo BKC no Rio Centro, para tirar o CPR, documento que diz que o cão é de raça pura. Dois juízes examinam o cão e atestam num formulário que ele é de fato da raça que o dono alega.

A mulher que preenchia a ficha me perguntou a raça e eu disse poodle. Ela esticou a cabeça por cima do balcão onde estava e fez cara de dúvida ao olhar pra ele. Aí chamou o primeiro juiz, que pôs os olhos no Galileu e disse: “esse cachorro não é poodle, é bichon frisé”. Eu expliquei: “não é não, é só a tosa que eu gosto assim”. O cara não se convenceu e disse: “a cabeça é grande, de bichon”. Eu insisti: “não é não, é pequena, olha só”, e abaixei os pelos do topete para mostrar a formação da cabeça.

O cara continuou ressaltando características de bichon e eu rebatendo os argumentos, como se entendesse muito de bichon. Como não concordei que meu cachorro fosse o que alegavam, chamaram outra juíza.

Começamos tudo de novo, ela dizendo que era bichon e eu contra-argumentando. Até cheguei a dizer para molharem o cão para poderem ver melhor a conformação física.

Nisso, os amigos que me acompanhavam já estava agoniados com o debate. O Bruno me disse que deveria ter tosado o peludo como poodle antes de ir lá. A Maria me disse para registrar como bichon mesmo, mas aquilo já havia virado uma questão de honra. Há 5 anos fui buscar um filhote cujos pais eram dois poodles. Não poderia me conformar em passar a ter um bichon de uma hora para a outra.

Durante todo esse tempo Galileu permanecia alheio à discussão, olhando aquele monte de cães belos e bem tosados, se exibirem em pista. Ele nem percebia a seriedade do que estava sendo discutido ali. Seria o mesmo que dizer para um oriental que a partir daquele dia passaria a ser negro.

Então a segunda juíza perguntou se poderia colocá-lo numa mesa para examinar melhor e lá fomos nós para a área em que os cães estavam sendo preparados para a pista. Chegamos até uma criadora que estava finalizando uma pequena poodle pretinha. A bichinha parecia uma estátua, paradinha na mesa, enquanto era arrumada. A juíza explicou o caso à criadora e logo a crise de identidade do Galileu estava terminada. A criadora passou a mão rapidamente na cabeça e no focinho e sentenciou: “é poodle”.

Voltamos ao balcão onde tudo havia começado e Galileu foi registrado como poodle.

P.S.: Depois disso tudo, enquanto visitava a Rio Vet, feira de produtos veterinários que também acontecia no Rio Centro, uma senhora se aproximou, fez festa no Galileu e perguntou se era bichon, explicando que nunca viu um pessoalmente. Eu, já meio estressada com o assunto, respondi: “então a senhora vai continuar sem conhecer um bichon, porque ele é poodle”.

Category: Dizer o que
  • Bruno Amaral says:

    HAUHUAAUHAUHUAHUAHUAHUHA

    Muito engraçado!!! Da próxima faça a tosa correta! KKKKKKKK

    Bejos

    September 27, 2009 at 6:02 pm
  • Sandra says:

    Hahahahhahahahaha…
    Só tu mesmo Rachel…
    Mas o Galileu correndo com tosa de poodle numa pista de agility vai ser muito engraçado… haahhahahahahaha

    Bjs

    September 29, 2009 at 10:15 am

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