Dizer o que?

Um blog sobre cotidiano, vida e direito

Coisa de subúrbio: comércio variado


Foto: claudiopan2007

Segundo a Wikipédia, subúrbio é “um termo para designar as áreas circunscritas às áreas centrais de um dado aglomerado urbano”.

No Rio de Janeiro, subúrbio designa qualquer bairro que não fique no Centro ou na Zona Sul. Isso de modo pejorativo, claro.

Bairrismos à parte, nos subúrbios cariocas a gente vê coisas (pitorescas) que não se vê em nenhum outro lugar da cidade, como a “lojinha” que vi hoje.

Fui ao Fórum Regional de Madureira que, não me perguntem porque, fica em Cascadura. Na volta para casa, o ônibus parou em frente a uma parede bem pintadinha, na qual se lia “SALGADOS, REFRIGERANTE, BISCOITOS”. Distraidamente, fui virando a cabeça, procurando o local onde estavam à venda tais mercadorias. Meus olhos enquadraram uma porta de garagem aberta e lá dentro uma loja arrumadinha: piso de cerâmica novo, balcões de vidro, bem iluminada. Fiquei olhando as mercadorias e vi sob o balcão envelopes de carta, envelopes pardos, corretivos, lápis, canetas… Pensei que estava olhando a loja errada, já que não via os produtos anunciados na fachada, mas não. Ao lado da parede pintada ficava a entrada da residência. O comércio era aquele mesmo.

Comecei a olhar com mais atenção e percebi que naquela “lojinha” montada na garagem de uma casa, o dono fazia de tudo um pouco: vendia material de papelaria, tirava xerox, fazia chaves, vendia cartões para celular, tirava foto 3×4. Finalmente encontrei uma geladeira, daquelas com porta de vidro. Em algum canto lá dentro certamente estavam os anunciados salgados e biscoitos.

Sinceramente, você já viu uma variedade dessas em alguma loja na Zona Sul? Tenho certeza que não.

Operação asfalto liso

www.asfaltoliso.com.br

Andar de carro pelas ruas do Rio é uma experiência indescritível. Mas não no bom sentido.

A quantidade de buracos no asfalto é uma coisa absurda! E eles aumentam em número e tamanho à medida que se distanciam dos bairros frequentados pelos turistas. O que não quer dizer que na Zona Sul (a parte da cidade onde se concentram os turistas) não tem buracos também.

A cada 15 dias vou com meu marido buscar a filha dele num bairro da Zona Norte. Eu praticamente “conheço” os buracos no caminho e assim consigo evitá-los. Mas às vezes aparece uma cratera nova e nem sempre consigo desviar. Lá vai o carro pra dentro do buraco!

Quando fiquei sabendo do movimento “Operação asfalto liso” fiquei super entusiasmada! Finalmente os motoristas que sofrem com as crateras cariocas se uniram pra reclamar. O movimento é recente e ainda não está muito estruturado, mas já está ganhando destaque na mídia. Eu estou aqui ajudando a divulgar.

Quem puder, visite o site para adquirir um adesivo ou um banner. Ajudem a divulgar!

Situação difícil

bebe

Hoje um rapaz que conheço me fez uma consulta jurídica. Infelizmente, não pude dizer o que ele gostaria de ouvir.

Embora seja casado, ele saiu com uma mulher apresentada por um amigo, que já tinha saído com ela antes. Agora ela está dizendo que ele é o pai da criança e ameaça entrar com ação de investigação de paternidade.

Ele jura de pés junto que não é o pai. Eu até acredito, mas precisei explicar o que pode acontecer. Disse a ele que o juiz pode fixar pensão logo no primeiro momento, se ficar convencido que ele tem possibilidade de ser o pai. Aí ele perguntou: “mas e quando o exame de DNA mostrar que não sou o pai?” Eu disse que ele pode entrar com ação cobrando da tal a restituição dos valores pagos, mas que duvido que ela tenha condição de pagar (lembram quando falei sobre isso?)

Ele ficou muito pu** e avisou que vai dizer ao juiz que não concorda, que isso é um absurdo. Expliquei que se desacatar o juiz, será preso na hora; se não pagar a pensão fixada, será preso depois. De qualquer forma, preso.

Vai sobrar pra mim tirá-lo da cadeia.

Internautas ciumentos

 facebook

Li outro dia que ciumentos passam mais tempo no Facebook. Não sou ciumenta. Deve ser por isso que ainda não consegui entender o Facebook.

Há anos atrás quando surgiu o Orkut, no tempo em que a gente vivia lendo na tela “Bad, bad server. No donut for you”, alguém me enviou um convite (só se entrava com convite, lembram?) e eu entrei. Não conseguia ver utilidade naquilo. Meu marido logo gostou e ficou tentando me convencer que era legal. Eu achava aquilo muito inútil. Passei um tempão sem acessar, depois até achei alguma graça, quando encontrei antigos colegas de escola e entrei para um grupo de fotógrafos amadores que organizavam saídas fotográficas. Hoje em dia meu marido continua visitando o Orkut. Eu tenho meu perfil lá, mas raramente entro. Escrever e responder scraps então, nem pensar!

Há pouco tempo fiz um perfil no Facebook. Todo mundo fala nisso agora e eu acabei aderindo, pensando “quem sabe é mais divertido que o Orkut?”. Já estou achando que sou burra, porque não consegui entender direito como funciona!

Na série The Big Bang Theory os personagens vivem de olho nas atualizações do Facebook e ficam sabendo em tempo real quando alguém muda o status para “namorando”. Na vida real conheço gente que não passa um dia sequer sem entrar no Orkut para postar fotos e olhar as fotos dos outros, comentar, brincar naquele Buddy Poke, etc. E não estou falando apenas de adolescentes. Duas, das três funcionárias do meu escritório passam quase todo o tempo livre com o Orkut aberto. Um amigo meu foi obrigado a deletar o perfil no Orkut por exigência da namorada, que vivia tendo crises de ciúme! Quando a namorada virou ex, ele voltou ao site. Já eu, nem sei o que tem no Orkut do meu marido. Se alguem deixar um scrap dando em cima dele nem vou saber.

Já enviou a foto e a história do seu cão para participar da promoção?

Spike – você vai se apaixonar

spike

Esta semana chegou às minhas mãos o livro Spike – você vai se apaixonar, escrito pela catarinense Gisele Martins Neis, e publicado pela Ediouro. Me foi enviado um e-mail perguntando se estaria interessada em receber um exemplar para resenhar, fazer promoção, o que quisesse. Gosto muito de ler e leio QUALQUER COISA sobre animais. Acho que já deu pra perceber que adoro bichos hehe Aceitei e ontem quando cheguei do escritório, o correio havia entregue o livro.

Peguei para “dar uma olhada” antes de dormir e acabei lendo nove capítulos. Hoje terminei de ler no transporte e nas filas da Justiça do Trabalho. Só consegui parar quando o livro terminou.

A leitura é agradável e leve. A autora conta pequenas histórias de seu labrador preto chamado Spike. Dá vontade de conhecer o bicho! Claro que todo dono coruja “exagera” um pouco os dotes do seu peludo rsrs mas ainda assim o Spike deve ser um amor! Confesso que pensei que leria uma versão brasileira de Marley e Eu, mas me enganei. Embora tenha aprontado algumas na infância, Spike não é um labrador terrível como Marley foi. A narrativa também é muito diferente. No livro de John Grogan a história do cão serve de pretexto para as histórias da família e para reflexões sobre vida, morte, amizade, etc. O livro da Gisele é mesmo sobre o cão. Ela, o marido e a filha são meros coadjuvantes.

Um dos trechos mais divertidos foi sobre subir na cama quando o dono estava no chuveiro:

“Spike gosta de subir em nossa cama, mas nunca quando George está em casa (…). Quando George ia para o banho, fechava a porta e ligava o chuveiro, Spike mais que depressa pulava para nossa cama se aninhando ao meu lado. (…) Assim era todo dia. O chuveiro era acionado, Negão pulava para a cama, e, quando era desligado, ele descia e se portava como se nada tivesse acontecido. O maior cara de pau.”

Recomendo a leitura para quem tem cachorro e também para quem não tem, mas gosta. Diversão garantida.

Se quiser saber mais, visite o site http://www.spikevocevaiseapaixonar.com.br.

Quer GANHAR um exemplar? Então participa da primeira promoção do Dizer o que? !

É só enviar para o e-mail “dizeroquepromo [arroba] gmail.com” uma foto legal do seu bichinho, acompanhada de uma pequena história divertida sobre ele. Ganhará o livro a história mais divertida, que venha junto com uma foto bonita, caprichada. Não vale inventar, tem que contar uma história verdadeira. É só puxar da memória que certamente você lembrará de várias histórias. Pode mandar mais de um e-mail, se quiser, cada um com uma história. O vencedor será contatado por e-mail para informar o endereço para onde devo enviar o livro.

Estarei aguardando os e-mails. Tenho certeza que vou me divertir muito com as histórias dos bichinhos.

Obs.: o primeiro e-mail que informei para envio das fotos está com problemas, por isso foi substituído. Quem chegou a enviar para o primeiro, envie novamente para o e-mail atual. Desculpem!

Participe! Divulgue!

Advogado

advogado

Hoje, 11 de agosto, é o Dia do Advogado. Essa data foi escolhida por ser o dia em que foram criados os cursos de Direito no Brasil.

Infelizmente, ninguém lembra que esse é o Dia do Advogado. Os telejornais noticiam o Dia do Pendura, quando os estudantes de Direito, seguindo uma antiga tradição, comem, bebem e deixam o restaurante sem pagar a conta. Em 10 anos de formada não me lembro de jamais ter recebido um simples parabéns de um cliente.

Isso é reflexo do descaso com que a sociedade trata o advogado.

O advogado tem função essencial na democracia. Por esse motivo a Constituição Federal estabelece:

Art. 133. O advogado é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei.

Um antigo adesivo da OAB já dizia: “Não há Democracia sem Justiça. Não há Justiça sem Advogado”. O que significa tudo isso?

A Democracia é o sistema de governo que dá voz ao povo. É o povo que exerce o poder através dos seus representantes eleitos. Nesse sistema em que o cidadão tem voz, a ele é garantido o direito de recorrer ao Poder Judiciário sempre que se achar injustiçado em alguma questão. Se não existisse o Judiciário, o cidadão que se sentisse injustiçado teria que resolver essas questões por si próprio, até caindo na porrada com seu opositor, se necessário. Na democracia, o advogado tem função essencial no equilíbrio das relações. É ele quem patrocina a causa do cidadão, ou seja, toma para si a defesa do interesse do cliente como se fosse seu próprio interesse.

Mas não é nessa nobre função que as pessoas pensam quando falam em advogados. Mesmo quem jamais precisou contratar um na vida, sabe pelo menos duas ou três piadas em que advogados são chamados de ladrões e/ou aproveitadores. Não tenho qualquer problema com piadas de advogados, muito pelo contrário, morro de rir com elas. No entanto, é fato que difundem o PRÉ-conceito.

Não vou negar que existem advogados desonestos, mas desonestos existem em todas as profissões. Por outro lado, um advogado pode fazer toda a diferença na vida de um cidadão. O trabalho de um profissional do Direito pode garantir a subsistência daquela senhora idosa que, ao perder o companheiro de anos, tem o pedido de pensão negado pela Previdência. O trabalho de um advogado pode garantir a uma criança o direito de ter um pai que se recusa a registrá-la. No entanto, as pessoas e a imprensa preferem lembrar apenas daqueles advogados que são flagrados levando armas para clientes presos, ou que se envolvem em golpes milionários.

Não é todo dia que a gente tem a chance de fazer a diferença na vida de uma pessoa. Na maior parte do tempo fazemos apenas aquelas coisinhas do dia a dia, como acontece em todas as profissões. Mas todos os momentos desagradáveis e desgastantes, as 10 ou mais horas de trabalho diário, as tardes sem almoço por falta de tempo, as horas passadas nos corredores dos fóruns aguardando as audiências, são recompensados quando a gente recebe um sincero “muito obrigado”.

Aproveite o dia de hoje para começar a se livrar do PRÉ-conceito com os advogados. Telefone para o seu advogado e dê parabéns pelo dia dele. Mesmo não sendo sua advogada, eu também ficarei feliz se quiser deixar um comentário me dando parabéns :)

Sintomas de pobreza – advogado

Encontrei o texto a seguir no blog “Mundo Pink”:

28 Sintomas de um Advogado Pobre

1. Depois de 5 anos de formado, descobrir que não vai ganhar dinheiro como advogado e prestar concurso para Oficial de Justiça;
2. ‘Incorporar’ ao escritório uma imobiliária, despachante, serviço de Junta Comercial ou de cópias xerográficas;
3. Convencer a mulher a trabalhar como secretária (para não ter de pagar salário), e a filha a fazer ‘Direito’ na USP, para estudar de graça (e depois também trabalhar de graça);
4. Ensinar à secretária a fazer as petições mais simples, para não ter de pagar estagiário;
5. Ir a casamentos, batizados ou festas de aniversário usando o anel de formatura e o broche da OAB, AASP ou do escritório preso na roupa;
6. Ir a qualquer evento social e distribuir o seu cartão para todo mundo (inclusive manobristas, garçons…);
7. Trazer garrafa térmica com água quente de casa e servir café solúvel aos clientes;
8. Aceitar fazer uma execução de 50 reais e tentar fazer um acordo;
9. Tentar a conversão de uma separação litigiosa em consensual para receber os honorários mais depressa;
10. Dizer ao estagiário: ‘O seu maior pagamento é o que você aprende aqui’;
11. Lembrar todos os dias ao estagiário que cursa quinto ano da faculdade que ‘gratidão é uma coisa muito importante’;
12. Perder prazo e colocar a culpa no estagiário;
13. Tentar convencer amigos e parentes que queiram prestar vestibular para Direito a não fazê-lo, alegando que o mercado já está muito saturado;
14. Economizar o dinheiro do almoço, passando vinte vezes na sala da OAB no Fórum para tomar café e comer bolacha de graça (a despeito da anuidade, mas esta também não é paga);
15. Quando se envolver em alguma discussão no trânsito, dizer: ‘Você sabe com QUEM está falando?’ – e mostrar a carteira da OAB;
16. Dar carteirada de OAB no guarda;
17. Ter dois ou mais adesivos de ‘Consulte sempre um Advogado’ nos vidros do carro;
18. Inscrever-se na assistência judiciária e ligar todo santo dia para o fórum, OAB ou Procuradoria para saber se ‘pintou’ alguma coisa;
19. Entulhar as prateleiras do escritório com um monte de livros que você nunca leu;
20. Ter aquela ‘balancinha’ de latão pintada de amarelo sobre a mesa do escritório;
21. Gravar na secretária eletrônica de casa: ‘Residência do DOUTOR FULANO DE TAL…;
22. Ir visitar a mãe e orientar a secretária para dizer que você está em um congresso;
23. Ficar sem emprego por mais de um ano e dizer que está estudando para concurso da Magistratura;
24. Ficar de olho nos fotógrafos em eventos em uma foto que possa ser publicada no jornal (nem que seja atrás de alguém) e, se for mesmo recortá-la e colar na parede do escritório;
25. Garantir ao cliente que a causa está ganha e, quando a coisa ficar preta, substabelecer;
26. Comprar a ‘Agenda do Advogado’ e anotar os compromissos em guardanapos de papel;
27. Vender rifa e produtos da Natura e Avon no escritório;
28. Ofender-se com piadas de advogados.

Morri de rir com o sintoma 14. Já comi muita bolacha em Sala da OAB, mas porque no Fórum trabalhista em Caxias não havia ambulantes vendendo lanche e a bolacha da OAB era a única alternativa para tapear a fome entre as audiências rsrs

Fim dos advogados

Recebi por e-mail e achei que valia a pena publicar:

O ano é 2.209 D.C. – ou seja, daqui a duzentos anos – e uma conversa entre avô e neto tem início a partir da seguinte interpelação:

– Vovô, por que o mundo está acabando?

A calma da pergunta revela a inocência da alma infante. E no mesmo tom vem a resposta:

– Porque não existem mais advogados, meu anjo.

– Advogados? Mas o que é isso? O que fazia um advogado?

O velho responde, então, que advogados eram homens e mulheres elegantes que se expressavam sempre de maneira muito culta e que, muitos anos atrás, lutavam pela justiça defendendo as pessoas e a sociedade.

– Eles defendiam as pessoas? Mas eles eram super-heróis?

– Sim. Mas eles não eram vistos assim. Seus próprios clientes muitas vezes não pagavam os seus honorários e ainda faziam piadas, dizendo que as cobras não picavam advogados por ética profissional.

– E como foi que eles desapareceram, vovô?

– Ah, foi tudo parte de um plano secreto e genial, pois todo super-herói tem que enfrentar um supervilão, não é? No caso, para derrotar os advogados esse supervilão se valeu da “União” de três poderes. Por isso chamamos esse supervilão de “União”.

Segundo o velho, por meio do primeiro poder, a União permitiu a criação de infinitos cursos de Direito no País inteiro, formando dezenas de milhares de profissionais a cada semestre, o que acabou com a qualidade do ensino e entupiu o mercado de bacharéis.

Com o segundo poder, a União criou leis que permitiam que as pessoas movessem processos judiciais sem a presença de um advogado, favorecendo a defesa de poderosos grupos econômicos e do Estado contra o cidadão leigo e ignorante. Por estarem acostumadas a ouvir piadas sobre como os advogados extorquiam seus clientes, as pessoas aplaudiram a iniciativa.

O terceiro poder foi mais cruel. Seus integrantes fixavam honorários irrisórios para os advogados, mesmo quando a lei estabelecia limite mínimo! Isso sem falar na compensação de honorários.

Mas o terceiro poder não durou muito tempo. Logo depois da criação do processo eletrônico, os computadores se tornaram tão poderosos que aprenderam a julgar os processos sozinhos. Foi o que se denominou de Justiça “self-service”. Das decisões não cabiam recursos, já que um computador sempre confirmava a decisão do outro, pois todos obedeciam à mesma lógica.

O primeiro poder, então, absorveu o segundo, com a criação das ´medidas definitivas´, novo nome dado às ´medidas provisórias´ . Só quem poderia fazer alguma coisa eram os advogados, mas já era tarde demais. Estes estavam muito ocupados tentando sobreviver, dirigindo táxis e vendendo cosméticos. Sem advogados, a única forma de restaurar a democracia é por meio das armas.

– E é por isso que o mundo está acabando, meu netinho. Mas agora chega de assuntos tristes. Eu já contei por que as cobras não picam os advogados ?

Autoria Desconhecida

Estranho

rip

Já contei que minha avó materna tem alzheimer. Quando ela ainda era lúcida, tinha um caderno de telefones, de papel, à moda antiga, em que estavam relacionadas todas as pessoas que conhecia, parentes próximos e distantes, amigos, conhecidos de longa data.

O caderno nunca recebia novos nomes, apenas os números dos telefones às vezes eram alterados. De tempos em tempos eu via minha avó sentar próximo à janela (a visão debilitada era facilitada pela luz natural), uma caneta e o caderninho nas mãos, para riscar os nomes daqueles que haviam morrido. Ela sempre comentava como era estranho fazer isso. Nas palavras dela: “todos que conheço estão morrendo”.

Eu não tenho um caderno de telefones, só a relação de contatos no PC e no smartphone, mas hoje experimentei sensação parecida.

Claro que ao longo dos meus quase 40 anos de vida já vi pessoas morrerem, mas quase sempre eram tias idosas, parentes distantes. Hoje fiquei sabendo que a irmã de uma amiga minha morreu. Estudei com essa amiga no jardim de infância (faz tempo, hein?!) e temos mais ou menos a mesma idade. A irmã dela era mais velha, mas acho que não deveria ter mais que uns 50 anos. Foi muito estranho saber da morte de uma pessoa da minha geração. Estou MESMO ficando velha.

SAC

telefone

Há um ano foi publicado o Decreto nº 6.523/08, que criou normas para funcionamento do SAC – Serviço de Atendimento ao Consumidor.

Foram estabelecidas regras como: em todos os menus telefônicos, inclusive logo no primeiro, deve haver opção de falar com o atendente; a ligação não pode ser finalizada antes da conclusão do atendimento; o atendente não pode solicitar informações pessoais do cliente; o consumidor não pode ser obrigado a repetir sua história cada vez que for encaminhado a outro atendente; o SAC deve funcionar 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive para cancelamentos de serviços; a transferência para o setor competente deverá ocorrer em no máximo 1 minuto; o consumidor não deve ser transferido para outro setor em caso de reclamação ou cancelamento, todos os atendentes devem ter capacidade para lidar com esses casos; o histórico das demandas do cliente deve constar no sistema de informática; todo atendimento deve receber um registro numérico que permita o posterior acompanhamento pelo cliente; as reclamações devem ser resolvidas em no máximo 5 dias úteis.

Já tive muita dor de cabeça ligando para SACs e certamente esse não é um (des)privilégio só meu. Felizmente, desde que o Decreto foi publicado, não fui obrigada a ligar para muitos SACs, mas outro dia quase perdi a paciência com uma atendente da área técnica do Velox, da Oi. Antigamente eles logo descartavam o cliente perguntando se havia roteador instalado. Quando a gente dizia que sim, informavam não dar suporte à rede e desligavam. Agora não podem mais fazer isso, mas procuram outros meios de jogar a culpa na instalação do cliente para mandar procurar um técnico. Comigo isso não dá certo, mas a mulher bem que tentou. No fim, mudou alguma coisa no sistema e minha conexão voltou, mas para “não dar o braço a torcer”, ainda tentou me convencer que o defeito era no meu roteador. Minha educação me impediu de mandá-la à merda.

Mas parece que muita gente por aí ainda precisa ligar para os SACs da vida e não tem recebido o atendimento que o Decreto manda. O PROCON de São Paulo já aplicou 10 milhões em multas por desrespeito às regras. Em SP, as operadoras de telefonia móvel Vivo e Claro lideram o ranking das multas administrativas. A Claro e a Oi ainda responderão a uma ação recentemente ajuizada pelo Sistema Nacional de Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça, na qual poderão ser condenadas a pagar indenização por danos morais coletivos.

E você? Tem sido satisfatoriamente atendido quando liga para um SAC? Os SACs estão cumprindo as regras? Conta pra gente sua experiência.

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